terça-feira, 7 de maio de 2013

Que culpa eu tenho?



Responsável por grandes sofrimentos psicológicos, um dos sentimentos mais arraigados dentro de nós, que se esconde atrás de nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na vida, de nosso tédio e angústias está o SENTIMENTO DE CULPA.

A culpa é um apego ao passado. É quando sentimos uma tristeza por ter cometido algum erro que não deveríamos ter cometido. O núcleo do sentimento de culpa são estas palavras: “não deveria”. A base da grande tortura da culpa é a frustração pela distância entre o que não fomos e a imagem de como deveria ter sido. É a tristeza por não sermos perfeitos, por não sermos infalíveis, um profundo sentimento de impotência. E o mais grave é que aprendemos que o sentimento de culpa é uma virtude.


A culpa nasce do ideal que trazemos dentro de nós do que é certo ou e do que é errado, do que é nosso dever fazer ou do que não devemos fazer. Conceitos introjetados em nós de acordo com a cultura em que vivemos. Ele surge quando contrariamos esses conceitos.

A culpa nos faz gastar energia numa lamentação interior por aquilo que já ocorreu ao invés de gastarmos em novas coisas, novas ações de novos comportamentos. É um comportamento considerado doentio em todas as linhas terapêuticas.


A culpa é o autodesprezo não aceitando nossos limites e fragilidade à frente das circunstâncias da vida. É uma vingança de nós mesmos, por não termos preenchido a expectativa de alguém a nosso respeito; seja essa expectativa clara e explícita, ou seja, uma expectativa interiorizada no decorrer da vida. Ao nos sentirmos culpados estamos alienados de nós mesmos. A nossa recriminação interna é nada mais do que as vozes recriminatórias de nossos pais, mães, professores ou outras pessoas que ressoam dentro de nós.


As pessoas sempre dizem que os seus sentimentos de culpa vêm dos seus erros, pois há uma relação nos nossos paradigmas mentais que culpa pressupõe erro. Acreditam que culpa é uma decorrência natural do erro, que não pode haver de maneira nenhuma culpa sem erro. Isso é profundamente falso. Uma coisa é o erro e outra é a culpa. São duas coisas distintas, separadas e que nós unimos de má fé, a fim de não deixarmos saída para o nosso sentimento de culpa.


O erro é o modo de se fazer algo diferente, fora de algum padrão de algum modelo determinado que hoje pode ser errado e amanhã, não. Pode ser errado num país e não no outro.


A culpa é o sentimento que vem de nós. Vem da crença de que é errado errar, que devemos ser castigados pelas faltas cometidas. Crença de que a cada erro deve corresponder, necessariamente, um castigo. O sentimento de culpa é a punição que damos a nós mesmos pelo erro cometido.


O erro é inerente à natureza humana, ele é necessário à nossa vida; só crescemos através do erro. O erro é uma demonstração de como eu sou, quando der ouvidos aos meus erros; ao invés de me lamentar por dentro, terei crescido.


Se a culpa é a vergonha da queda, o auto-perdão é o elo entre a queda e o levantar de novo. O auto-perdão é o recomeço da brincadeira depois do tombo. Eu me perdoo pelos erros cometidos, por não ser perfeito, pela minha natureza humana, pelas minhas limitações. Eu me perdoo por não ser onipotente, onipresente. O perdão é sempre a si mesmo. É pessoal e intransferível. O perdão aos outros é somente um modo de dizermos aos outros que já nos perdoamos.


Perdoar é restabelecer a nossa própria unidade. É uma aceitação integral daquilo que já aconteceu, daquilo que já passou, daquilo que já não tem jeito. É o encontro corajoso e amoroso com a realidade.


Somente aqueles que já desenvolveram a capacidade de auto-perdão conseguem energia para uma vida sadia psicologicamente. A criança faz isso muito bem. O perdão é a própria aceitação da vida do jeito que ela é, nos altos e baixos. É a capacidade de dizer adeus ao passado, é um sim à vida que nos rodeia agora, é uma aceitação do presente.


Não tenha medo de erros. Erros não são pecados. Erros são formas de fazer as coisas de maneira diferente, talvez de forma criativamente, de uma nova forma. Não busque ser perfeccionista pois isso vira uma prisão: quanto mais você treme, mais erra o alvo. Não fique aborrecido por seus erros. Alegre-se por eles pois você teve a coragem de dar algo de si.


Características de quem sente culpa:
- Preocupação excessiva com a opinião dos outros;
- Sente-se mal quando recebe algo, pois na verdade não se considera digno de aceitar o que os outros dão;
- Fala repetidamente sobre o que motivou a sentir culpa;
- Raiva reprimida;
- Dificuldade em assumir responsabilidade pelos próprios atos;
- Sente-se rejeitado;
- Responsabiliza o outro pelo próprio sofrimento;
- Sente-se vítima em algumas ou muitas situações;
- Geralmente se pune ficando doente, ou sendo vítima frequente de acidentes, ou seja, autopunições constantes;
- Dificuldade em expressar os reais sentimentos;
- Não consegue falar 'não';
- Necessidade em agradar;
- Sempre fazendo algo pelos outros e raramente para si mesmo;
- Dificuldade em fazer algo só para si;
- Não consegue administrar o tempo, pois está sempre sobrecarregado;
- Baixa autoestima;
- Falta de amor-próprio.


A culpa pode ser gerada por causa de:
- Morte;
- Manipulação;
- Crítica;
- Regras;
- Acusações;
- Repressão;
- Rigidez;
- Religião;
- Inflexibilidade;
- Julgamento;
- Controle;
- Dependência;
- Superproteção;
- Raiva;
- Medo;
- Rejeição;
- Abandono;
- Abusos;
- Mentira;
- Prazer;
- Felicidade;
- Dinheiro;
- Sucesso;
- Expectativa;
- Comparações;
- Necessidade de agradar;
- Comodismo/ falta de atitude;
- Sentimentos de impotência;
- Preconceito;
- Segredos, principalmente entre os familiares.


Consequências da culpa
- Autopunição;
- Medo;
- Sofrimento;
- Remorso;
- Estagnação;
- Doença - segundo alguns estudos, a culpa está presente em praticamente a maioria das pessoas portadoras de câncer;
- Tristeza/depressão;
- Submissão;
- Prisão emocional;
- Solidão;
- Dificuldade em impor limites, dizer não;
- Fuga através do álcool, drogas;
- Compulsão alimentar;
- Conflitos internos e nas relações ;
- Dificuldade em sentir prazer;
- Destruição da autoestima e amor-próprio
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