terça-feira, 4 de outubro de 2011

Diferença entre "ser" e "estar" terapeuta

Recebi esse texto de uma querida amiga.
Cada vez mais há que se compreender que o importante, essencial e fundamental é o SABER OUVIR. E que ser Terapeuta Floral é muito mais do que ler livros e decorar para que serve cada uma das essências.





SER E ESTAR TERAPEUTA

Os terapeutas, como o resto dos humanos, procuram a felicidade e sabem que nenhuma felicidade duradoura pode ter por fundamento a ilusão. A verdade é a própria condição da verdadeira alegria e, por isso, é necessário antes de tudo “procurar ver com clareza”. Isso supõe “sair das projeções”, que não nos deixa ver o que é.

Um elemento importante da terapia dos antigos é a “epochè”, “o por entre parênteses”.

Olhar para uma coisa, uma pessoa, um acontecimento e “por entre parênteses”, isto é “suspender” o juízo, não projetar sobre “isto” os temores e desejos, todos esses “pacotes de memórias” de que se acha carregado o menor dos nossos olhares.

Num primeiro sentidlo, ver com clareza é ver o que é: apenas o que é e nada mais.

A “epochè” refere-se não só à emoção, mas também ao juízo e ao pensamento. Supõe grande liberdade diante das nossas reações, mas estas atitudes “reativas” que tomamos muitas vezes por “ações”, falando precisamente, não somos senhores delas. Antes de imaginar somente que isto seja possível, trata-se em primeiro lugar de tomar consciência. A “epochè” constitui um momento importante para deixar de lado “o próprio ponto de vista” e os seus condicionamentos. Ver as coisas a partir delas mesmas, em sua “outridade” irredutível a nossas percepções fragmentárias, é o começo da clara visão.

“Aprender a ver com clareza”, em um segundo sentido, é desenvolver em si uma “visão esclarecedora”, aquela que vem do olho do coração. Existem olhares que diminuem, coisificam o outro, há olhares que revivificam, iluminam... desses olhares, uma pessoa sai mais pura, orgulhosa e como que engrandecida. Nossa vida vale muitas vezes pelo olhar sob o qual a gente se põe. o Olhar do terapeuta é não apenas claro no sentido de “lúcido”, objetivo, enquanto isso é possível a uma pessoa, mas é  também claro no sentido de esclarecedor. Diante desse olhar você se vê melhor, descobre-se mais diante de um tal olhar, não numa nudez de culpa ou de vergonha, mas em nossa nudez essencial de “ser amado pelo Ser”. Diante de um olhar assim, você não se sente menosprezado, julgado, medido, mas aceito, sendo essa aceitação a condição necessária para que se inicie um caminho de cura. Melhor, diante de um olhar como esse, você pode sentir-se “amado”, mas amado de maneira não possessiva ou interesseira, “amado por si, gratuitamente”..., estranhamente amado.

Este texto é de Jean-Yves Leloup, em “Cuidar do Ser” - Fílon e os Terapeutas de Alexandria.

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