segunda-feira, 25 de abril de 2011

Amor e comida: vícios orais

Quando a criança nasce, seu primeiro amor e seu primeiro alimento são a mesma coisa: a mãe. Assim existe uma profunda associação entre alimento e amor; na verdade, o alimento vem primeiro, e depois segue o amor.

No primeiro dia, a criança nasce com fome e o alimento é imediatamente necessário. O amor não será necessário por um longo período - ele não é uma grande emergência. Uma pessoa pode viver sem amor por toda a sua vida, mas não pode viver sem alimento - esse é o problema.

Aos poucos ela sente que, sempre que a mãe está muito amorosa, ela dá seu seio de uma maneira diferente. Quando ela não está amorosa, mas com raiva ou triste, ela dá o seio muito relutantemente, ou não o dá. Assim, a criança fica consciente de que sempre que a mãe está amando, sempre que a comida está disponível, o amor está disponível. A percepção está no inconsciente.

Quando você está sentindo falta de uma vida de amor, você come mais - torna-se uma substituição. E com o alimento, as coisas são simples, porque o alimento é morto. Você pode continuar a comer tanto quanto quiser - a comida não pode dizer não. Com a comida, você permanece como mestre. Mas, no amor, você não é mais o mestre. Assim, digo-lhe que não se preocupe com a comida, pode comer tanto quanto quiser; mas comece uma vida de amor e imediatamente perceberá que não estará comendo tanto. Você obsevou, se você está feliz se sente tão preenchido que não sente espaço dentro; a pessoa infeliz insiste em jogar a comida para dentro.

Por Osho Rajneesh

A FASE ORAL

A fase oral refere-se ao primeiro ano de vida, quando o prazer sexual está predominantemente ligado à excitação da cavidade bucal e dos lábios durante a alimentação. A atividade de nutrição fornece as significações eletivas pelas quais se exprime e se organiza a relação de objeto: a relação de amor com a mãe, por exemplo, será marcada pelas significações de comer e ser comido. Freud atribui grande significado às experiências orais concretas, pois é a partir delas que decorre a posterior vida psicológica: abstrata, simbólica e inteligente. No entanto, o desmame psicológico é tarefa árdua, e em alguns casos, nunca acontece totalmente. Temos, então, a oralidade excessiva, no qual o indivíduo não controla seus impulsos de falar, beber, comer. Os atos orais são compensatórios (mecanismo de defesa de compensação) em todos os aspectos, reunindo o calor, o afago e a proteção do seio materno unido ao bem-estar alimentar. Portanto, os costumes compensatórios podem se fixar a partir da fase oral e, no adulto, aparecem as formas derivadas inerentes a uma voracidade não superada. O sujeito fixado nessa fase poderá apresentar vícios orais como fumar demais, comer, usar drogas, beber, falar em demasia. Sentindo-se frustrado, compensará seu estado psicológico consumindo exageradamente, buscando novidades com gastos não previstos e impulsivos.

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